O valor raramente está só na coisa em si. Está também na forma como a descobrimos, no que sabemos sobre ela, na experiência que nos proporciona e na ligação que conseguimos criar. Um copo de vinho pode ser apenas uma bebida, mas pode também ser território, tempo, clima, tradição, saber e gesto. Uma fotografia pode ser apenas uma imagem, mas pode também ser memória, ausência, presença ou prova de um instante irrepetível.
É aqui que surge a relação entre valor & percepção. Nem tudo o que tem valor é percebido como valioso. E nem tudo o que é percebido como valioso tem necessariamente mais qualidade intrínseca. Muitas vezes, o que altera a percepção é a forma como olhamos, a informação que recebemos, o ambiente onde estamos, a narrativa que nos envolve ou a experiência que antecede o contacto.
O projecto O Valor das Coisas nasce desta curiosidade: observar exemplos, ideias e referências que nos ajudam a perceber porque atribuímos valor a determinadas coisas. Na magia, na fotografia, na gastronomia, no vinho, no turismo, na luz, no restauro ou na comunicação não verbal, há sempre uma pergunta comum: o que faz com que algo seja visto, sentido ou lembrado como especial?